sexta-feira, 9 de março de 2012

Copa do Mundo pode não ser no Brasil

A disputa entre a Fifa, a entidade que comanda o futebol no mundo, e o governo brasileiro se acirrou na sexta-feira 2. Em um evento na Inglaterra, o francês Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, afirmou que o Brasil deveria levar “um chute no traseiro” para apressar as obras prometidas para o Mundial e a aprovação da Lei-Geral da Copa, espécie de cartilha de regras da Fifa para o evento. De imediato, o País partiu para o contra-ataque. O articulador da jogada foi o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que no dia seguinte disse – em público e por carta enviada à Fifa – que o governo não aceitava mais o francês, número dois na hierarquia da entidade, como interlocutor. Isso sem contar as reações de repúdio dos presidentes da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e do Senado, José Sarney, além de outros políticos da base governista e da oposição.

A Fifa acusou o golpe ao ver seu homem forte, responsável pelo evento que faz lucrar bilhões de dólares, jogado para escanteio no país-sede do Mundial. E pediu desculpas. A começar pelo próprio Valcke, 51 anos, que encaminhou uma carta ao ministro. Joseph Blatter, presidente da entidade, repetiu o gesto e o reforçou com uma ligação a Rebelo. Mais do que o mundo ter visto a poderosa Fifa perder uma queda de braço – o jornal espanhol “Marca” publicou que o Brasil “baixou a bola” da organização –, o episódio se revelou como mais uma trapalhada no currículo do controverso dirigente francês. “Ele é boquirroto, fala mais do que deve”, diz um ex-ministro que conhece de perto o secretário-geral. Segundo essa pessoa, que prefere não se identificar, Valcke queimou uma ponte que tinha com a presidenta Dilma Rousseff, construída em Bruxelas, na Bélgica. Na ocasião, Dilma recusou uma reunião com Blatter para tratar do Mundial com o número dois da entidade. “Se bem a conheço, acho impossível a presidenta voltar a recebê-lo.”

O dirigente francês é, sem dúvida, o craque da Fifa em dar bola fora. No ano passado, um e-mail escrito por ele colocou a entidade em um escândalo sobre compra de votos para a Copa de 2022, que será realizada no Catar. Na ocasião, ao ser afastado do cargo de vice de Blatter, Jack Warner divulgou uma correspondência eletrônica trocada com Valcke na qual falavam sobre a desistência de Mohammed Bin Hamman, presidente da Confederação Asiática de Futebol, de concorrer à presidência da Fifa por acusações de corrupção. Escreveu Valcke: “Nunca entendi por que ele estava concorrendo. Se era por achar que realmente tinha chance ou se estava tentando mostrar de forma radical como ele não gosta mais de JSB (Joseph Sepp Blatter). Ou ele pensou que poderia comprar a Fifa como eles (Catar) compraram a Copa do Mundo.

Noticia completa: http://www.istoe.com.br/reportagens/194161_O+TRAPALHAO+DA+FIFA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

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