segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Denúncias contra ministros de Dilma continuam após saída de Lupi
Após a saída do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a onda de denúncias de corrupção no governo Dilma atingiu mais um ministério, dessa vez da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, comandado por Fernando Pimentel, a quem a presidente Dilma Rousseff pediu explicações.
A chefe de governo ainda não tinha resolvido a situação criada pela renúncia de Lupi, pedida neste domingo, quando o jornal "O Globo" publicou denúncias contra Pimentel.
Segundo o periódico, o ministro faturou pelo menos R$ 2 milhões com sua empresa de consultoria, a P-21 Consultoria e Projetos Ltda., em 2009 e 2010, entre sua saída da Prefeitura de Belo Horizonte e a chegada ao governo.
Fernando Pimentel admitiu que realizou serviços para essas empresas em 2010, antes delas ganharem contratos para a realização de diversas obras em Belo Horizonte, mas sustentou que nada foi feito ilegalmente.
Ao jornal, o ex-prefeito afirmou que o trabalho foi uma maneira encontrada por ele de ganhar dinheiro num momento em que não ocupava nenhum cargo público. Pimentel disse que Dilma, com quem tem uma estreita amizade, pediu que ele desse explicações claras e atuasse com transparência e tranquilidade, pois acredita que nada foi feito de errado.
As primeiras explicações de Pimentel, no entanto, não convenceram a oposição, fortalecida após a queda de seis ministros desde maio passado e antes do governo completar um ano de mandato.
O PSDB emitiu nesta segunda uma nota na qual disse que "aguarda mais explicações do ministro Pimentel" sobre um assunto que "esconde a possibilidade de tráfico de influência".
O comunicado acrescentou que a atitude do ministro nestes dias determinará se o partido pedirá que ele seja convocado para dar explicações ao Congresso, assim como fez nas situações anteriores.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), assegurou que Pimentel não será chamado, pois ele "não era deputado, não era senador, não era prefeito nem era ministro" quando prestou as consultorias. Vaccarezza afirmou que o governo não permitirá que a oposição faça uso político de uma denúncia sem fundamentos.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) lembrou que um caso parecido derrubou em maio o então chefe da Casa-Civil, Antonio Palocci, o primeiro dos ministros de Dilma a ser afastado.
Depois dele, caíram os titulares de Transportes, Alfredo Nascimento; Agricultura, Wagner Rossi; Turismo, Pedro Novais; Esporte, Orlando Silva; e Trabalho, Carlos Lupi, todos por denúncias de corrupção, mais o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que saiu por divergências com o governo Dilma.
Essa situação, segundo afirmaram hoje à Efe fontes oficiais, reforçou a decisão da presidente de fazer uma profunda reforma em seu gabinete no início do ano que vem, para garantir que todos os membros da sua equipe tenham ficha limpa.
Segundo analistas, essa faxina implicaria a saída de alguns ministros de pastas que foram objeto de denúncias de corrupção, como Cidades, de Mario Negromonte, além de outros que pretendem se candidatar a prefeito em 2012, caso do ministro de Educação, Fernando Haddad.

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