Ralph J. Hofmann
O prêmio Nobel da Paz nem sempre tem sido concedido a pessoas que lutam pela paz e por alguns critérios de decência que todos nós admiramos.
Não raro é concedido para ver se com sua ajuda algumas circunstâncias mudam. Vide o prêmio a Anwar al Sadat conjuntamente recebido com Menachem Begin. Nem Begin nem Sadat eram o que se pode descrever como pacifistas. Um era militar de carreira, o outro foi membro de uma facção violenta do movimento ara estabelecer o estado de Israel. Na verdade reunir os dois em Camp David e depois em Oslo para receber um prêmio conjunto foi essencial para garantir uma relativa estabilidade de mais de trinta anos na região. O Egito se beneficiava por reduzir suas despesas militares e até mesmo por receber um afluxo maior de turismo e Israel reduzia o número de inimigos dispostos a atacá-lo por ataques convencionais. Isto naturalmente hoje está em cheque com a atuação de fundamentalistas islâmicos que preferem o reino do além a criar um sólido e próspero país na Terra.
Mas há prêmios que saltam aos olhos pelo bem que fizeram. Mandela e de Clerk, o Dalai Lama são exemplos.
Ontem foi o dia de um discurso de aceitação do Prêmio Nobel da Paz que era esperado há 21 anos. Aung San Suu Kyi, líder da oposição em Myanmar (Birmânia) foi a Oslo e emocionou uma platéia que a ouviu em silêncio profundo interrompido apenas duas vezes por aplausos intensos.
A laureada explicou que o prêmio Nobel teve o pendor de quebrar seu senso de isolamento e seu desespero pessoal profundo ante seu encarceramento domiciliar de anos. Conforme Suu Kyi:
“Frequentemente durante meu encarceramento domiciliar eu sentia não ser mais parte de um mundo real. Havia a casa que eira meu mundo. Havia o mundo dos outros que também não estavam em liberdade mas que estavam numa prisão que era uma comunidade . E havia o mundo dos livres. Cada qual era um planeta separado no seu próprio curso num universo que não estava dando nenhuma atenção ao que ocorria.
O Prêmio Nobel me trouxe de volta ao mundo dos outros seres humanos, fora da área isolada em que vivia e restaurou meu senso da realidade ... Mais importante que isto, o Nobel chamou a atenção à luta pela democracia e direitos humanos na Birmânia. Não seríamos esquecidos.”
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* Aung San Suu Kyi delivers a speech during the Nobel ceremony at Oslo's City Hall, Norway, June 16, 2012. Aung San Suu Kyi said today that winning the 1991 Nobel Peace Prize while under house arrest "opened up a door in my heart," and helped to shatter her sense of isolation and ensured that the world would demand democracy in her military-controlled homeland. (AP Photo/Daniel Sannum Lauten/POOL)
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