O líder do PR, deputado Lincoln Portela (MG), assinou nesta terça-feira o requerimento da oposição para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, que investigará denúncias de irregularidades nos ministérios. Portela incluiu seu nome na lista uma semana após seu partido anunciar que deixava a base do governo Dilma Rousseff, em uma crise que começou com a "faxina" no Ministério dos Transportes, pasta comandada pela sigla. As informações são da Agência Câmara.
"Entendi que essa CPI quer uma investigação limpa, sem querer prejudicar a governabilidade, mas trazer luz à sociedade brasileira das coisas que estão acontecendo. Eu seria incoerente se não assinasse", disse Portela. Seus colegas de partido Tiririca (SP), Fonseca (PR), Giroto (MS), Homero Pereira (MT), Anthony Garotinho (RJ) e Lilian Sá (RJ) já haviam assinado o requerimento.
A CPI conta com 119 assinaturas de deputados, das 171 necessárias, e 21 adesões de senadores, das 27 necessárias. Portela disse que a sua assinatura não é uma recomendação para a bancada e garantiu que não vai retirá-la. "Eu não retiro essa assinatura, nunca coloquei assinatura em CPI e retirei". Portela ainda refutou que esteja caminhando para a oposição. "Eu continuo apoiando a presidente Dilma", afirmou.
O líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), ressaltou o caráter "simbólico" da adesão de um líder governista. O líder da Minoria, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), avalia que a assinatura é a "constatação inequívoca" de que os parlamentares estão confiantes no resgate da posição do Parlamento. Segundo ele, a assinatura do líder do PR pode incentivar a adesão de novos governistas.
Ao confirmar sua saída da base aliada ao governo federal na semana passada, o PR disse que iria entregar todos os seus cargos na gestão da presidente Dilma. A ideia, no entanto, não inclui o atual ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, que, embora filiado ao PR desde 2006, não é considerado como da cota dos republicanos no primeiro escalão do governo federal. Com o anuncia da posição independente da sigla, a legenda passou à condição de poder ignorar orientação do Palácio do Planalto, embora não integre o bloco oposicionista.
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