O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Ramsussen, afirmou neste domingo que o regime de Muammar Kadafi está "claramente desmoronando", e sustentou que o líder líbio "não pode ganhar a batalha" contra seus próprios cidadãos.
"O regime de Kadafi está claramente desmoronando. Espero que Kadafi compreenda o mais rápido possível que não pode vencer a luta contra seu próprio povo. Assim, os líbios podem evitar mais derramamento de sangue e sofrimento", afirmou em nota oficial.
Os insurgentes anunciaram neste domingo sua chegada à Praça Verde, no centro de Trípoli, perto dos quartéis de Kadafi, e a brigada responsável por sua segurança pessoal depôs as armas, segundo a rede de televisão Al-Jazeera.
O Conselho Transitório Líbio (CNT, órgão de direção dos rebeldes) confirmou também a captura de dois filhos do governante, Seif el Islam e Saadi, enquanto um terceiro, Mohammed, se entregou após os rebeldes cercarem sua casa.
Em comunicado, Ramsussen afirmou que os líbios sofreram muito nas mão de Kadafi por 40 anos, mas que agora se abriu uma oportunidade para um novo começo.
"Agora é o momento de acabar com todas as ameaças contra os civis, como exige o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Agora é o momento de criar uma nova Líbia, um Estado baseado na liberdade e não no medo; na democracia e não na ditadura; na vontade da maioria e não no capricho de poucos", declarou.
Rasmussen instou à Líbia a efetuar uma transição pacífica.
"A transição tem que acontecer pacificamente. Tem que acontercer agora. E tem que ser liderada e definida pelos líbios", sustentou, ao tempo que assegurou que a Otan está preparada para trabalhar com o povo e com o CNT, o qual tem uma grande responsabilidade nesse novo futuro da Líbia.
"Eles têm que velar para que a transição se desenvolva sem complicações e que seja inclusiva, que o país se mantenha unido e que o futuro se baseie na reconciliação e no respeito aos direitos humanos", assinalou o secretário-geral da Otan.
Mas também os leais a Kadafi têm uma grande responsabilidade, disse. "Chegou o momento de pôr fim às jornadas de violência. O mundo está de olho. Esta é a oportunidade de se posicionar ao lado dos líbios e de escolher o lado certo da história", afirmou Rasmussen.
Neste sentido, afirmou que a Otan continuará monitorando os movimentos das unidades militares e das principais instalações, como faz desde março, e se vir uma ameaça contra os líbios reagirá de acordo com o mandato acertado com o Conselho de Segurança da ONU para proteger os civis.
"Nosso objetivo neste conflito foi proteger os líbios e é o que estamos fazendo", acrescentou.
Rasmussen reiterou também que serão os cidadãos que decidirão sobre o futuro de seu país e que a comunidade internacional deve apoiá-los. Neste contexto, a ONU e o Grupo de Contato sobre a Líbia devem assumir um papel importante.
"A Otan quer que os líbios possam decidir sobre seu futuro em liberdade e em paz. Hoje podem começar a construir este futuro", concluiu.
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