sábado, 20 de agosto de 2011

SERÁ QUE MUDOU?

Gilberto Barbosa de Figueiredo (*)
(agosto de 2011)

A saída de Jobim do Ministério da Defesa era coisa muito mais do que esperada. Com toda a certeza, buscou esse desfecho, embora tenha utilizado caminhos pouco ortodoxos. Não posso concordar com a tese que ouvi em alguns segmentos da mídia de que pagou por ter falado demais. Jobim, tenham ou não gostado de sua atuação como ministro, não pode ser tachado de ingênuo. Tampouco é um neófito na política. Saiu, portanto, porque quis e agiu para que isso acontecesse.

O interessante é que para provocar a irritação da Presidente não foi obrigado a dizer nenhuma mentira. Inicialmente, no dia em que se comemorava o aniversário de 80 anos de Fernando Henrique Cardoso, afirmou, lembrando Nelson Rodrigues, que era obrigado a conviver com idiotas imodestos, referindo-se, provavelmente, ao pessoal do PT que equipa os ministérios, desde os mais altos escalões. Depois foi a declaração de voto em José Serra, algo que não era novidade para ninguém. Finalmente, a classificação da nova ministra de muito fraquinha.

Como foi um processo relativamente longo, houve tempo para surgirem especulações sobre quem seria o sucessor. Desde que começou a se solidificar a idéia de que haveria troca no Ministério da Defesa, vários nomes foram citados como possíveis substitutos para Jobim. Nenhum deles, a uma primeira avaliação, seria pior do que aquele escolhido por Dilma. Chegou-se a falar que a rejeição seria por ser diplomata. Nada mais falso. Em minha opinião um embaixador está muito melhor qualificado para o cargo do que a imensa maioria de nossos políticos. O problema, portanto, não é ser diplomata, mas ser este diplomata.

Para tornar ainda mais incerta a confiança que se pode creditar ao novo Ministro, recebi dois testemunhos insuspeitos que denotam o pouco apreço que tem – ou pelo menos tinha – pelos militares. O primeiro foi de um Comandante Militar da Amazônia que relatou-me visitas de Celso Amorim a Manaus. Ao chegar ao aeroporto, deparando-se com a usual fila para os cumprimentos, o Ministro vinha saudando todas as autoridades; saltava os militares, retomando as saudações após o último do grupo fardado. E isso aconteceu, lá, mais de uma vez. Em Nova Iorque ocorreu o mesmo, segundo me contou um antigo general Conselheiro Militar junto à Missão Permanente do Brasil na ONU

Temos a favor do novo ministro, devo dizer para ser justo, suas primeiras declarações, sensatas e equilibradas. Parece que soube entender rapidamente as principais prioridades das Forças Armadas e externou disposição de lutar por elas. Positiva, considerei, também, a forma como vem se relacionando com os comandantes das três Forças. Há pessoas que quando conhecem as instituições passam, na medida que as entendem, a melhor respeitá-las – rogo para que esse seja o caso. Ficamos, pois, na expectativa de que tenha havido a mudança. E que seja profunda e persistente é o que esperamos.

(*) General, antigo membro do Alto Comando do Exército e ex-presidente do Clube Militar

Comentário do Grupo Guararapes
Mais uma vez o gen Figueiredo atirou na mosca. A pergunta: Será que mudou? Sabia do caso do exterior. Desconhecia o de MANAUS. QUEM NÃO TEM EDUCAÇÃO NÃO MUDA NUNCA. É DE BERÇO. VAI FAZER TUDO PARA PARECER QUE MUDOU, MAS NA PRIMEIRA DE COPA MOSTRA QUEM É. GTMELO

REPASSE, AMIGO PARA QUE SE FIQUE SABENDO QUE É O HOMEM!
GRUPO GUARARAPES

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