O deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca, é um dos 115 parlamentares da Câmara que assinaram requerimento para a instauração da CPI da Corrupção. Sua adesão à frente oposicionista por investigações de denúncias nos ministérios do governo Dilma Rousseff está registrada como a 109ª entre os deputados e ocorreu após o PR ter deixado a base aliada, na última terça-feira, em gesto de independência após a "faxina" promovida pela presidente na pasta dos Transportes.
Presente em todas as sessões da Câmara no ano até aqui, o deputado mais votado do País em 2010 vinha votando conforme a pauta governista. Além de Tiririca, outros 13 deputados do PR assinaram o requerimento, em contraste à postura dos seis senadores da sigla, que não aparecem entre os parlamentares do Senado que apoiam a CPI, cuja instauração depende das assinaturas de 171 deputados.
Ao confirmar sua saída da base aliada ao governo federal na terça, o PR disse que iria entregar todos os seus cargos na gestão Dilma. A ideia, no entanto, não inclui o atual ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, que, embora filiado ao PR desde 2006, não é considerado como da cota dos republicanos no primeiro escalão do governo federal.
A crise no Ministério dos Transportes
Uma reportagem da revista Veja do início de julho afirmou que integrantes do Partido da República haviam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do Ministério dos Transportes. O negócio renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério sob a gestão da Valec (estatal do setor ferroviário) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
O esquema seria comandado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto. Mesmo sem cargo na estrutura federal, ele lideraria reuniões com empreiteiros e consultorias que participavam de licitações do governo no ramo.
O PR emitiu nota negando a participação no suposto esquema e prometendo ingressar com uma medida judicial contra a revista. Nascimento, que também negou as denúncias de conivência com as irregularidades, abriu uma sindicância interna no ministério e pediu que a Controladoria-Geral da República (CGU) fizesse uma auditoria nos contratos em questão. Assim, a CGU iniciou "um trabalho de análise aprofundada e específica em todas as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias".
Apesar do apoio inicial da presidente Dilma Rousseff, que lhe garantiu o cargo desde que ele desse explicações, a pressão sobre Nascimento aumentou após novas denúncias: o Ministério Público investigava o crescimento patrimonial de 86.500% em seis anos de um filho do ministro. Diante de mais acusações e da ameaça de instalação de uma CPI, o ministro não resistiu e encaminhou, no dia 6 de julho, seu pedido de demissão à presidente. Em seu lugar, assumiu Paulo Sérgio Passos, que era secretário-executivo da pasta e havia sido ministro interino em 2010.
Além de Nascimento, outros integrantes da pasta foram afastados ou demitidos, entre eles o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, Hideraldo Caron - único indicado pelo PT na direção do órgão -, o diretor-executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, o diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves, e assessores de Nascimento.
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