quarta-feira, 4 de abril de 2012

Estudante profissional jubilando vira Diretor do MEC

Hoje meu colega acreano Altino Machado divulgou uma informação simplesmente bizarra: um estudante profissional, militante do PT, está assumindo a Diretoria de Integração das Redes de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação.

O cidadão chama-se Irailton Lima de Sousa, é militante do PT e suplente de vereador na capital acreana.

Pois bem…Irailton está matriculado no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Acre há exatos 21 anos.

Segundo a Coordenadora do Curso, o novo Diretor do MEC escapou duas vezes do jubilamento. Em 1998 fez um novo vestibular e em 2005 foi chamado novamente para se explicar sobre a demora para se formar. Foi dado um novo prazo, mas ele resolveu fazer a monografia sem concluir os créditos.

Ainda segundo a Coordenação do Curso, o novo Educocrata pleiteou uma colação de grau sem concluir os créditos.

Agora tenta obter a Declaração de Conclusão de Curso, mas a professora se nega a dar.

Agora aos fatos.
Este Governo está simplesmente brincando de aparelhamento do Estado.

Não estamos falando de um cargo comissionado no Ministério da Pesca, ou mesmo na Reforma Agrária, onde a educação formal talvez seja menos importante do que a prática (em alguns casos).



Irailton Lima de Sousa, de jubilando a Diretor do MEC

Estamos falando em colocar na Diretoria do Ministério da Educação um militante que passou 21 anos na Universidade e não conseguiu se formar.
21 anos!

Qual a moral que o Ministério da Educação tem para exigir que as Ifes jubilem seus alunos, de acordo com as regras do REUNI, se aceita aparelhar o Ministério desta forma pueril?

Vejamos a explicação dada pela Coordenadora do Curso em Ciências Sociais, professora Eurenice Oliveira de Lima. Foi publicado por Altino Machado, que também escreve oBlog da Amazônia.

Aliás, Altino fez uma entrevista com o futuro Diretor do MEC, o Jubilando Irailton Sousa.

“1 – O referido aluno iniciou o curso, pela primeira vez, em 1991. Temendo um processo de jubilamento, prestou novamente vestibular e reiniciou o curso em 1998. Considerando todo o período, ele está há 21 anos no curso Ciências Sociais. Em 2004, este aluno não estava sequer cadastrado no Sistema de Informação do Ensino (SIE).

2 – Conforme o Histórico Escolar do aluno, disponível no sistema da UFAC, a carga horária cumprida por ele ao longo desses 21 anos foi de 2.070 horas, sendo que a carga horária exigida para concessão de diploma como Bacharel em Ciências Sociais é de 2.295 horas.
3 – Este aluno deveria ter sido jubilado em 2005. No entanto, em 2007, a Coordenação do Curso autorizou ao Núcleo de Registro e Controle Acadêmico da UFAC (NURCA) o recadastramento para que ele tivesse a oportunidade de defender sua monografia, o que foi feito em 2008, sob a orientação do Prof. Dr. Ermício Sena.

4 – De acordo com o Projeto Curricular Pedagógico do Curso de Ciências Sociais, o prazo de integralização é de sete anos. No entanto, o aluno em questão defendeu sua monografia sem integralização de créditos, dez anos depois de sua matrícula em 1998.

5 – Além disso, à época da defesa de sua monografia, o aluno devia outros créditos e também o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Estabelece o Ministério da Educação e Cultura (MEC) que o ENADE faz parte do componente curricular, de maneira que o seu descumprimento não permite colar grau ou obter diplomação. Isto posto, a declaração de conclusão do curso, que o aluno pleiteia junto a esta Coordenação, não tem validade legal.

6 – Outrossim, uma vez defendida a monografia, o mencionado aluno ingressou com uma solicitação de colação de grau especial, por meio da Vice-Reitoria, na pessoa do Prof. Dr. Pascoal Muniz, procedimento este totalmente inadequado. Pois o caminho correto é que esta solicitação seja feita diretamente na Coordenação do Curso, instância responsável por dar sequência aos procedimentos cabíveis, que se pauta pela normas vigentes na Instituição e sempre orientou os alunos sobre seus direitos e deveres.

7 – Como se vê, esta é a síntese da trajetória acadêmica apresentada pelo discente. Cabe a pergunta: este aluno tem autoridade para tecer críticas à UFAC e a seu corpo docente, que estão apenas cumprindo a legislação educacional em vigor? Entendo que este não é o melhor caminho para quem pretende cuidar do futuro de milhões de jovens brasileiros que aguardam ansiosamente as oportunidades do PRONATEC, programa em que o aluno parece pleitear um cargo de direção.

8 – Por fim, ressalto que a Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais está aberta e disponível a prestar quaisquer esclarecimentos sobre o caso, assim como as demais instâncias da UFAC, primando sempre pela transparência e rigor na administração pública.”

http://acertodecontas.blog.br/educacao/estudante-profissional-jubilando-vira-diretor-do-mec/

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