HORA DE ACORDAR
Ralph J. Hofmann
Durante todo o perigo de euforia de um “Milagre Econômico” cantado em prosa e verso pela equipe do governo Lula e posteriormente do governo Dilma, os cronistas deste Blog se sentiram “cassandras” (*) , pois não conseguiam enxergar como o Brasil poderia evitar problemas mais à frente.
A imprensa internacional também se iludiu ou foi bem remunerada para nada mencionar quanto à impossibilidade de permanecer um país de ‘Marolas”num mundo de macaréus. Até dez meses atrás seguia ecoando as oas da imprensa chapa branca do Brasil. Notícias positivas na imprensa brasileira pareciam alimentar notícias boas na imprensa internacional que por sua vez realimentavam a euforia da imprensa dentro do Brasil.
Sutilmente, lentamente, revistas como a The Economist e o jornal Financial Times começaram a recuar, a ver o problema da perda de empregos no setor industrial, na queda do valor das commodities, no custo inerente às más estradas que não são consertadas, a malha rodoviária que não é expandida, nos portos obsoletos. É como se o Brasil tivesse sido um anunciante pagando bem por manchetes positivas num jornal de repente tivesse deixado de anunciar.
Contudo, subitamente o periódico Foreign Affairs, uma publicação trimestral (outono/inverno/primavera/verão) em formato de livro/brochura do Council for Foreign Affairs se manifesta. É importante notar que as pessoas que são convidadas a escrever nessa publicação normalmente são do primeiro time. Na década de setenta quando todos tentávamos entender melhor o Japão um dos que escreveu sobre o sistema de convivência governo-empresa do Japão foi Peter Drucker. Quando ficou claro que a CIA devia ser desmontada e montada de novo, lá por 1974-5 a revista pediu uma análise do Almirante Stansfield Turner. Vinte e quatro meses depois Turner assumira direção da CIA. Um dia, ainda nos anos setenta, li um artigo do líder do minúsculo Partido da República, na Itália. Tempos depois ele surgia como primeiro-ministro de consenso num dos muitos momentos difíceis da vida republicana da Itália.
Pois bem, a edição de primavera contém uma análise de Ruchir Sharma, diretor de Commodities e Assuntos Globais da Morgan Stanley sobre as perspectivas de continuar a driblar a crise de 2008.
Deixa claro que se a China não estivesse percorrendo os fornecedores do mundo atrás de commodities o Brasil jamais teria tido essa sensação de bem-estar. Praticamente diz que o governo, nos últimos nove anos pegou uma onda chinesa. Caso contrário teria sido necessário construir algo mais permanente em cima da estabilização deixada pelo governo FHC.
Fica claro que o investimento em educação de qualidade e fatores infra-estruturais foi insuficiente, e que o país dependerá de programas mais sérios neste sentido para aproveitar, dentro de alguns anos a próxima fase boa dos mercados mundiais, mas que o Brasil já interdepende tanto do seu relacionamento com os grandes mercados que a ambição de viver do intercâmbio com a América Latina não tem como atender as verdadeiras necessidades, se for para manter na classe média os milhões de pessoas que teriam nela ingressado nos últimos anos.
Este claramente vê que não se pode depender de impostos altos, juros altos mas taxas de investimento baixas, extensas políticas de subsídios sociais, tudo isto pendurando nos setores de commodities num mundo em que grandes pulmões do sistema estão em crise.
Ou seja, como estamos carecas de saber. O Brasil precisa ser governado por cabeças pensantes. Não larápios assaltantes
(*) Vidente da mitologia grega. Por recusar-se a deitar com Apolo este colocou um feitiço que fazia com que as pessoas não aceditassem nela. Assim, apesar de ter avisado Priamo de Tróia de que deveria destruir o Cavalo de Madeira não lhe deram ouvidos, o cavalo foi trazido para dentro das muralhas e Tróia caiu.
Brazilian President Dilma Rouseff at the White House. (Kevin Lamarque / Courtesy Reuters)
Until recently, the consensus view of Brazil among investors and pundits was almost universally bullish. Under the landmark presidency of Luiz Inácio Lula da Silva, the country became known as a paragon of financial responsibility among emerging markets. Having contained hyperinflation and reduced its debt, Brazil weathered the 2008 financial crisis better than most, growing at an average annual rate of nearly four percent over the past five years. And in the last ten years, some 30 million Brazilians have entered the middle class, giving their country, according to Brazil's promoters, the power to expand despite a turbulent global environment and to reduce income inequality even as it grew elsewhere in Latin America.
This decade of success has made Brazil one of the most hyped emerging-market nations, with one of the two top-performing stock markets in the world and receiving more foreign direct investment than most other countries. Over the past five years, the amount of foreign money flooding into Brazilian stocks and bonds surged to record levels, with inflows expanding from $5 billion in 2007 to more than $70 billion through this past January. Brazil's rise has solidified its reputation as a leading member of the BRICS -- Brazil, Russia, India, China, and South Africa -- the world's top emerging markets, which many expect to supplant the United States and Europe soon as the largest drivers of the global economy.
Yet this glowing image of Brazil rests on an extremely shaky premise: commodity prices. The country has grown largely in concert with surging demand for its stores of oil, copper, iron ore, and other natural resources. The problem is that the global appetite for those commodities is beginning to fall. And if Brazil does not take steps to diversify and boost its growth, it may soon fall with them.
THE COMMODITY CRAZE
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