quinta-feira, 8 de setembro de 2011

COM QUE DIREITO?

Ralph J. Hofmann

Com que direito as pústulas supuradas que freqüentam os congressos do PT julgam e emitem opiniões sobre quem quer que seja?

Sobre os militares e os anos de chumbo? Sabemos que eles também eram uma força armada e andavam por aí armados, explodiam coisas e pessoas, torturavam e matavam até mesmo seus próprios simpatizantes se desconfiassem deles.

Sabemos que os militares exerciam uma censura, e concordamos que muito da censura era burra e exercida por elementos mais estúpidos da carreira militar, sem critérios racionais para vetar publicação.

Contudo agora, em pleno regime democrático, estando no poder há oito anos os torturados, perseguidos e censurados do passado, temos uma censura efetiva, temos a perseguição de jornalistas através de processos que refletem um abuso de poder econômico, pois ameaçam calar a boca dos mesmos por falta de recursos para seguir se defendendo.

Critique figuras Petistas, indique os escândalos de suas bases de apoio e com o mesmo movimento instintivo de um pistoleiro do velho oeste eles sacarão seus revólveres Colt de seis tiros e dispararão contra o direito constitucional de informar.

Isto hoje, num momento em que o acúmulo de incidentes que vão desde a corrupção à pura incompetência atingiram tal nível que finalmente uma pequena parte da imprensa que até agora servia com a cega fidelidade de membros e simpatizantes do partido, suspendendo e enterrando profundamente seu senso crítico, começa a ser dar conta de que as coisas estão indo longe demais.

Nem mesmo é necessário insistir aqui sobre o assunto corrupção ou mensalão. Basta apontar as estradas precariamente recuperadas por trabalhos de faz-de-conta, mas que eram reparos que em um ano já haviam sido destruídas pela utilização normal e pelas intempéries.

Bastam aeroportos inacabados de R$ 20 milhões (que já consumiram 25 milhões) na caatinga, onde uma pista de pouso de aviação de segundo ou terceiro nível seria suficiente.

Basta a transposição de um rio doente como o São Francisco contra as recomendações de hidrologistas e geólogos, estando as obras paradas, mas recebendo recursos no orçamento.

A insistência sobre o trem-bala que apesar de ser um futuro gerador de déficit operacional obtém precedência sobre ferrovias de trabalho, que escoem produção e favoreçam uma interiorização de indústrias de aponta um dedo para a própria presidente. Se ela é tão técnica quanto alegam cronistas por que colocará sua reputação pessoal a serviço de um projeto tão deletério, e executados a custos proibitivos.

Dispensa dizer que na maioria dos casos flui dinheiro grosso com endereço certo, mas cabe também apontar a incompetência grosseira de planejadores. Quem precisa de planos minuciosos de obras que apenas se destinam a gerar manchetes na imprensa e fluxo-de-caixa o mais longe da imprensa que for possível.

Na alma das lideranças dos resistentes dos anos de chumbo se ocultavam personalidades dignas de um Átila Rei dos Hunos e não de uma Madre Teresa.

http://www.ternuma.com.br/ternuma/index.php

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