sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Mídia destaca diagnóstico de especialista israelense sobre terrorismo no Brasil

“Já há terroristas no Brasil e vocês sabem seus nomes. Não é apenas um pesadelo de que talvez um dia o terrorismo possa chegar. Vocês já têm grandes grupos que, por enquanto, estão fazendo propaganda e arrecadando fundos, mas eles podem mudar para um nível mais perigoso de terrorismo”, disse Gabriel Weimann, uma das maiores autoridades mundiais em terrorismo on-line, à Folha.com.

"Tenta-se, há muitos anos, estabelecer um perfil da pessoa mais propensa a ser atraída pela propaganda terrorista. Todos os esforços foram em vão, pois não há um 'recruta-modelo'. Não é preciso sequer estar aberto à ideologia fundamentalista, já que o método usado por esses grupos é de uma sedução gradual e lenta", explicou ele ao site de Veja.

O portal Terra deu como manchete, em 12 de setembro: “Brasil deve se tornar alvo de ataques terroristas, diz especialista”.

Gabriel Weimann, professor titular no Departamento de Comunicação na Universidade de Haifa, Israel, está no Brasil, entre os dias 8 e 17 de setembro, para encontros com juristas, acadêmicos, políticos, jornalistas e para ministrar palestras em universidades e na comunidade judaica.

Em debate com Weimann na Hebraica de São Paulo, no dia 11 de setembro, Raul Jungmann, ex-deputado federal que presidiu a Frente Parlamentar de Defesa Nacional, deu forte sustentação ao diagnóstico do especialista Israelense: “Não temos legislação que identifique crime de terrorismo. Há grandes problemas operacionais: a criação de um órgão antiterror não saiu do papel. Matéria recente da revista Veja [edição 2211, de 6 de abril de 2011, disponível no acervo digital] sobre terrorismo no Brasil teve mais repercussão no exterior do que aqui. O tema precisa ser mais debatido!”.

O professor Heni Ozi Cukier, especialista em Relações Internacionais da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, disse neste debate que países marginais e sem estrutura permitiram o florescimento do terrorismo. Para ele, numa era de conflitos assimétricos, poder difuso e realidade complexa, sem valores globalizados para mediar o avanço das comunicações, os grupos terroristas ganharam projeção internacional. “A narrativa é uma forma de poder e um bom meio para a difusão das ideias destes grupos”, observou Cukier, notando ainda que a motivação do terror é ideológica, e não econômica. A mediação do debate foi do jornalista Alon Feuerwerker, colunista do Correio Braziliense.

Cerca de 60 pessoas, incluindo alunos de pós-graduação e público externo, receberam Weimann na Faculdade Cásper Líbero, no dia 10 de setembro, em São Paulo. A banca de debatedores foi formada pelo professor de Ciência Política Cláudio Arantes e o professor Pedro Ortiz, da cadeira de Jornalismo no Radio, na TV e na internet. As perguntas do público envolveram pontos como a cobertura jornalística sobre o terrorismo e questões geopolíticas atuais.

O pesquisador israelense destacou que os jornalistas são parte importante do que chama de “Teatro do Terror”, e que tanto a cobertura quanto a paranoia gerada por ela são um dos objetivos de quem planeja um atentado terrorista. Questionado sobre possíveis soluções para isso, o professor sugeriu a cobertura responsável dos atentados, com apuração mais completa. Weimann salientou que sua pesquisa é essencialmente acadêmica, não sendo uma forma de denunciar, entregar ou encontrar as organizações terroristas. Seu objetivo é mostrar que é possível fazer esse tipo de pesquisa.

Na ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, em 12 de setembro, na capital paulista, Weimann falou, com casa lotada, para membros da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e alunos de Jornalismo. Ao final, o israelense foi cercado pelo público, com muitas questões.

Ainda em São Paulo, ele foi homenageado em 9 de setembro na sede da Polícia Federal, onde deu palestra para mais de 200 pessoas, incluindo dirigentes do órgão. Estiveram presentes o cônsul de Israel, Ilan Sztulman; Marcelo Blay e Octavio Aronis, diretores da Conib; e Boris Ber, presidente da federação Israelita.

O especialista israelense cumpre ainda extensa agenda, até o dia 17 de setembro, no Rio de Janeiro e em Brasília, incluindo encontro com o senador Fernando Collor, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, com diplomatas e com o embaixador de Israel, Rafael Eldad.

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