terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CUPINS

Ralph J. Hofmann

Os australianos têm uma expressão excelente para descrever um processo de minar uma estrutura de dentro. Chama-se “white-anting”.

“White ants” são os cupins australianos, são isópteras como os nossos cupins brasileiros.

Recentemente fui viajar e meu apartamento ficou em obras. Quando voltei o empreiteiro havia removido os armários da cozinha e da pia do banheiro. Descobria que somente havia uma fina camada de madeira ou chapa plástica externa. Todo o interior havia virado um pó de madeira fininho sem qualquer resistência mecânica. Era uma estrutura tão falsa quanto uma nota de cento e cinqüenta reais.

No caso os australianos usam o termo “white-anting” para descrever uma subversão, uma degradação, causada por movimentos subversivos. “I was white-anted”, diz o australiano. Significa que um inimigo se insinuou e tomou conta. A essência bidistilada de Gramsci. O Brasil é especial neste sentido. Misturou-se a busca do poder para realizar um objetivo com a busca do poder para que um grupo simplesmente pudesse usufruir das riquezas do país. Isto às custas dos ideais de seus próprios correligionários.

O poder foi conquistado pelos cupins que vestem as mais diversas siglas políticas. Não há nenhum indício que nos leve a acreditar que ainda possuam objetivo como a revolução e a ditadura do proletariado. Simplesmente estão se alimentando e engordando como cupins que encontraram uma madeira especialmente deliciosa.

Como qualquer Rafael Trujillo (*) de antanho se vêem como proprietários do estado e convidam para cear os barrotes que sustentam o estado todo e qualquer conviva que lhes seja útil ou que capte a sua simpatia.

Um dia o estado fatalmente terá de desabar. Não se pode remover tanto material por tempo infinito sem que um dia as prateleiras do armário contaminado desabem quebrando toda a porcelana.

Isto porque cupins não constroem nem pensam. Vivem unicamente para comer madeira e defecar pequenas bolinhas de madeira, sem aderência umas nas outras, enquanto houver material.

Isto explica por que a nossa presidente não se livra de ministros e outros corruptos ante o primeiro sinal de anomalia.

Ela e seus parceiros não estão programados geneticamente senão para consumir a madeira. Nem sequer se preocupam em manter a estrutura em pé elo maior tempo possível.

Parece que sempre haverá mais madeira para consumir.

O problema é que um dia o dono do móvel pode avaliar o quanto ainda existe de material estrutural. E neste dia pode de duas coisas escolher uma. Encharcar o móvel em inseticida ou desmontar o móvel e fazer uma fogueira com ele.

Sinceramente acho que devíamos planejar para junho do ano que vem uma imensa fogueira de São João. .

Nunca mais haverá tanto combustível para isto.

(*) Ditador centro-americano da época em que os ditadores não fingiam ser paladinos do proletariado.

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