Após 11 meses de uma violenta rebelião na Síria, o presidente dos EUA, Barack Obama, baseia sua reação em uma frágil e inexperiente coalizão internacional que tem poucas opções palatáveis para debelar a crise.
A secretária de Estado, Hillary Clinton, qualifica o novo grupo de "Amigos da Síria" como a melhor oportunidade de fortalecer a frágil oposição ao regime do presidente Bashar al-Assad e forjar uma solução política, depois do veto de China e Rússia a uma resolução do Conselho de Segurança a ONU sobre o assunto.
Os "Amigos da Síria" incluem aliados árabes dos EUA e a Turquia, enquanto os EUA se limitam a um papel de coadjuvante, deixando que outros governos assumam posições mais assertivas. Mesmo assim, Washington teme se envolver em uma perigosa guerra civil num ponto crucial do Oriente Médio.
"O ritmo do impacto dos nossos esforços está sendo superado pelo ritmo em que o regime sírio está disposto a matar pessoas", disse Steven Heydemann, especialista em Síria no Instituto da Paz, dos EUA. "A estratégia dos EUA, tal qual está agora, é simplesmente pouco demais e tarde demais, e esse é um crescente ponto de tensão dentro do governo."
Esse debate ocorre em meio a temores cada vez mais sérios de que o conflito já estaria fora de controle, pois os rebeldes anti-Assad recebem armas e apoio material do Iraque e de outros lugares.
Diplomatas da Liga Árabe disseram que uma nova resolução aprovada na terça-feira pelo grupo poderia permitir o fornecimento de armas para os rivais de Assad. Isso poderia lançar o governo Obama na desconfortável posição de apoiar tacitamente aliados árabes que desafiaram seus próprios alertas públicos contra um envolvimento militar no conflito.
"Neste momento, a oposição provavelmente pode obter armas atacando suprimentos militares sírios, agregando desertores e fazendo algumas aquisições no mercado negro", disse um funcionário americano que pediu anonimato.
A Casa Branca reiterou na terça-feira sua preocupação com uma corrida armamentista na Síria. "Ainda acreditamos que uma solução política é o que a Síria precisa, e ainda há chance se a comunidade internacional agir rapidamente", disse Tommy Vietor, porta-voz da Casa Branca.
"Não queremos contribuir para uma maior militarização da Síria, o que levaria o país para um caminho perigoso e caótico", afirmou. "Entretanto, não descartamos a adoção de medidas adicionais caso a comunidade internacional espere demais e a situação piore."
Mas a situação na Síria já é bastante ruim, pois as forças de Assad intensificaram seus ataques contra as forças da oposição e contra civis apanhados no fogo cruzado.
"A guerra se tornou uma questão de sobrevivência para o regime de Assad. Ele está se aproximando do limite máximo da violência que pode empregar", disse Jeffrey White, analista de Oriente Médio no Washington Institute, num estudo divulgado na terça-feira.
Hillary deve discutir possíveis medidas adicionais contra a crise durante sua viagem à Tunísia para a primeira reunião dos "Amigos da Síria", no dia 24.
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