terça-feira, 3 de abril de 2012

MISSA DE 31 DE MARÇO - Gen Paiva Chaves

Alocução proferida pelo Gen Paiva Chaves quando do encerramento da Missa de 31 de Março, manda rezar, pelo TERNUMA, em intenção das almas de TODOS os brasileiros mortos no período de 1964 a 1976.

Este ato religioso teve o propósito de orar pelo descanso eterno das almas de TODOS os que sucumbiram em atos de força, a partir de 31 de março de 1964.

Pereceram defendendo seus ideais.

Morreram no cumprimento do dever, em obediência a ordens e disposições constitucionais.

Ou foram colhidos pela fatalidade de estar em local onde ocorreram ações armadas, sem terem qualquer ligação com elas.

No PAI NOSSO que há pouco recitamos, rogamos ao Altíssimo que perdoe nossas ofensas, assim como perdoamos aos que nos têm ofendido. É nossa intenção perdoar e o Pai Todo Poderoso nos perdoa pela intenção manifesta, inda que ela não se concretize. Ele sabe que perdoar é um ato de consciência, que turbilhona nossos sentimentos e, tal seja a virulência da ofensa, não basta a vontade para consolidar o perdão.

Nos anos de confronto que o País viveu até o restabelecimento da normalidade institucional, muitos parentes, amigos e simpatizantes dos vitimados foram ofendidos pela brutalidade que os atingiu. Que Deus os ilumine na intenção de perdoar, pelo valor maior da paz e da concórdia na sociedade brasileira.

A sabedoria do coletivo, por neutralizar, em seu conjunto, as paixões individuais, encontrou um caminho para consolidar a paz e a concórdia. Não esperou que o perdão se instalasse em cada alma ofendida. Fez-se a Lei da Anistia.

Anistia não é perdão. É esquecimento. Podem os indivíduos lutar em seu íntimo até que sua consciência perdoe. Já a sociedade não poderia esperar. Como tantas vezes ocorrera em nossa História, valeu-se da anistia para virar a página de anos de desencontros que não cabe, neste local e nesta hora, interpretar.

Cabe sim, num preito de saudade e de respeito aos que foram sacrificados nos confrontos fratricidas, rogar a todos que, não estando ainda prontos a perdoar, recorram, no íntimo de suas consciências, a ANISTIAR.

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